TONELADAS DE IDEIAS

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Sustentabilidade e criatividade guiam o artista Marcelo Stefanovicz numa coleção autoral de móvies para novo centro cultural de SP.

Inaugurado no início do ano como parte das comemorações do aniversário de São Paulo, o centro de cultura e lazer Farol Santander devolveu à cidade um de seus edifícios mais emblemáticos – o Altino Arantes – após 2 anos entre restauro e reforma para abrigar seu acervo histórico, espaços expositivos, um loft, café com vista panorâmica e até mesmo uma pista de skate.

No entanto, a impressionante escala do projeto gerou um impacto da mesma grandeza: dezenas de toneladas de entulho acumuladas pelos andares desocupados, de cabos elétricos e tubos de todo tipo à máquinas e mobiliário obsoletos. É aí que entra em cena o artista e designer Marcelo Stefanovicz e sua missão hercúlea: transfomar esses materiais em novos objetos funcionais.

E o momento não poderia ser mais oportuno – reciclar toda essa história material acumulada enquanto ele próprio avança para uma nova fase autoral em que, após anos à frente do estúdio Outra Oficina, volta a criar de maneira independente.   

Em um prazo de 6 meses para desenvolver o projeto, iniciado em setembro de 2017, Marcelo montou um ateliê, localizado no 15º andar, que mais parece um laboratório de arqueologia da sociedade industrial. Uma primeira impressão de caos dá lugar a uma sistemática organização que separa as bancadas de trabalho por tarefa e os nichos de entulho por material – até as milhares de porcas e parafusos encontrados tem local certo.

Andando com desenvoltura entre os “destroços”, ele conta que alí se encontram mais de 10 toneladas de material - das quais 3 são de cabos elétricos e 2 de alumínio - e que foram necessários quase dois meses de trabalho somente para se entender o que tinha, separando tudo e recuperando ítens danificados com potencial para reaproveitamento, como calhas elétricas.  

Numa produção ininterrupta, estabeleceu-se uma meta de criar 8 peças por mês, 48 total, para que ao final sejam destribuidas pelos demais andares do edifício, inclusive na entrada junto ao monumental lustre de 13 metros de comprimento que recebe os visitantes. Tudo isso sem contar a confecção de 750 castiçais para os convidados da abertura, todos criados a partir de componentes em aço para piso elevado restaurandos e finalizados com um envelhecimento a base de  betume e goma laca.

A coleção é formada por cadeiras e bancos com assento de tubos, luminárias de piso com estruturas de pára-raio e até uma grande mesa de centro cuja base é uma antiga antena de tv, cuja “lenda urbana” remonta à transmições da extinta TV Tupi. Mas entre essas e outras criações a peça mais impressionate é justamente uma das últimas – um buffet criado a partir de quase 200kg de tubos de aço em diferentes diâmetros que permitem a passagem de luz pelas extremidades, dando certa leveza ao móvel escultórico.

Dentro desse garimpo sustentável também foram recuperadas verdadeiras jóias, como antigas luminárias em cobre, tombadas, que aguardam um novo destino enquanto o próprio Marcelo já começa a pensar no futuro do projeto, pois ainda há o potencial para anos de trabalho com a riqueza de matéria-prima coletada, menciona.

2018 

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