NOVA GERAÇÃO DO DESIGN 

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GQ magazine

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Quem são os nomes da atualidade, responsáveis por moldar a nova identidade do design brasileiro, aqui e lá fora.

Ao pensar numa lista de jovens designers brasileiros é inevitável misturar nomes já conhecidos com outros em ascenção e novas apostas. Afinal, é justamente na mistura que reside a nossa força criativa – entre diferentes culturas, tradições, técnicas, materiais e cores.

Mas para propor uma curadoria voltada ao novo é importante uma reflexão que vá além das tendências ou estilo. É preciso pensar a respeito dos novos caminhos criativos, novos conceitos e, consequentemente, do novo mercado. Ai sim, pode-se sugerir quem são os nomes responsáveis pelas principais descobertas e, por que não, redescobertas do design brasileiro.

E os caminhos são muitos: enquanto nomes como o dos cariocas Zanini de Zanine e Brunno Jahara tem se destacado pela pluralidade de atuação com diversas marcas conhecidas, outros construiram parcerias sólidas e longevas com a indústria, como Jader Almeida e a marca Sollos, de Santa Catarina, e mais recentemente Gustavo Bittencourt e a Elon, de Petrópolis.   

No outro extremo, destacam-se designers que se dedicam ao aperfeiçoamento da técnica manual e cujo contato direto (e obsessivo) com o material configura a essência do trabalho, seja através da madeira, como Rodrigo Silveira, ou através do metal, como Leo Capote. Ambos dentro de um repertório brutalista que subverte formas e proporções e dá novos ares à universos tão tradicionais.

Mas aliado à tudo isso precisa existir um contato direto com o público, com aspectos da nossa cultura e sociedade – um desejo de aproximação, de um design popular em toda a grandeza da expressão. E nessa linha Sérgio Matos desponta por uma trajetória de resgate da nossa memória, do folclore regional, das tradições, enquanto Paulo Biacchi, da Fetiche, explora os significados afetivos do objeto através de uma mistura entre artesanal e industrial. 

 Por fim, não poderiam ficar de fora as promessas e aqui temos dois designers que rapidamente tem construído um nome no segmento. Tanto Guilherme Wentz como Rodrigo Ohtake unem a determinação à um olhar formal maduro e aliam visão criativa com visão estratégica com maestria, ganhando cada vez mais espaço no cenário nacional.  

A seguir um perfil de cada um desses 10 nomes, espalhados por todas as regiões do Brasil, com diferentes repertórios, técnicas e materiais, mas um mesmo objetivo: fortalecer o design autoral brasileiro.

01- ZANINI DE ZANINE

Rio de Janeiro (1978)

 

O tom de voz baixo e comportamento calmo podem surpreender quando se conhece o designer Zanini de Zanine pela primeira vez, afinal, se tem alguém que simplesmente não pára nunca é ele. No entanto, vivendo seu melhor momento na carreira, e definitivamente o mais agitado, Zanini tem transitado com desenvoltura por todos os segmentos do design para construir uma identidade sólida que hoje alcança todo o país.

Se dividindo entre a produção industrial e as peças colecionáveis com a mesma intensidade, Zanini construiu uma carreira que de 2003 até aqui explorou diferentes materiais, processos e fabricantes para traçar um percurso próprio e independente ao importante sobrenome que carrega, do arquiteto autodidata moderno Zanine Caldas – um entusiasta da cultura brasileira e defensor da nossa madeira.

Justamente nessa busca de novos horizontes foi que o designer chegou à Europa, pelas mãos de nomes como Giulio Cappellini e Nigel Coates, tendo peças editadas por importantes marcas italianas como poltrona Frau, Cappellini e Slamp. Esse caminho no exterior, como de praxe, abriu diversas portas por aqui e hoje o studio tem parceria com inúmeras marcas do país, além de administrar a marca própria, que inclusive se prepara para dar mais um importante passo: a abertura de uma loja dedicada à toda essa produção, no Rio de janeiro.

Enquanto isso, o olhar para o design autoral, em séries limitadas, vem atraindo cada vez mais colecionadores aqui e fora para um significativo grupo de trabalho que se vale do convívio com as artes plásticas, toda a exuberância da nossa madeira e proporções escultóricas atraentes para retratar com extrema sofisticação artesanal toda a nossa complexidade cultural.

No meio de tudo isso, o designer dá agora seus primeiros passos no campo da arquitetura, assinando a concepção artística do edifício residencial Triade, localizado em Ipanema e através do qual pode-se traçar um novo aspecto da influência paterna. Influência essa da qual hoje o próprio Zanini tenta se reaproximar e promover por meio de inúmeras iniciativas, como a reedição da linha de móveis dos anos 50 e o documentário Zanine: Ser do Arquitetar (2016), além de um futuro livro em desenvolvimento.

 

02 - JADER ALMEIDA

Santa Catarina (1981)

 

“Para mim o design e a indústria são indissociáveis”. Essa frase do catarinense Jader Almeida é emblemática não apenas para tratarmos de suas peças, mas também de toda a vida profissional e visão criativa como designer construída ao longo de 20 anos, desde que entrou pela primeira vez em uma fábrica e se aproximou desse processo de produção.

E é na atenção ao processo como um todo que reside seu sucesso, numa habilidade objetiva em unir a experiência do “chão de fábrica” à macro visão do negócio, passando por todas as etapas até alcançar o usuário. Assim como na própria indústria, no design de Jader a criação anda junto de diversos outros fatores como economia, política, comportamento e cultura – o design é tratado como disciplina, não objeto.  

O resultado de tudo isso é um número impressionante que gira em torno dos 300 produtos lançados até hoje, fruto da longa parceria com a fabricante Sollos (2004), além de  dezenas de prêmios nacionais e internacionais conquistados, como o IF Design Awards, Good Design Awards, Red Dot e o Prêmio Museu da Casa Brasileira, que exaltam seu rigor de desenho, técnica e estratégia. 

Parece mesmo que são nessas qualidades que encontramos sua linguagem como designer: um estado de constante e delicado equilíbrio entre a racionalidade e a criaividade, uma busca pela materialização atenta aos detalhes e que une a manufatura ao comportamento, ao desejo - de tocar, de usar. Tudo isso através de uma estética que valoriza a leveza e atemporalidade do objeto sem no entanto anular sua presença.

Essa é a marca Jader, hoje espalhada por todos os cantos do país e principal responsável por devolver a atenção do grande mercado ao design nacional contemporâneo de maneira mais consciente, num país que ainda está assimilando a importância do design. Próximo passo: mundo.

 

03- LEO CAPOTE

São Paulo (1981)

 

O designer paulistano Leo Capote é um daqueles raros casos de talento puro, ou até mesmo bruto, em que o instinto e a curiosidade ingênua são as engrenagens da criação. Nas suas mãos objetos do dia a dia sofrem uma metamorfose, mudam de função para, acima de tudo, mudar a nossa impressão do próprio objeto. Martelos viram bancos, machados formam os pés de uma cadeira e porcas se amuntuam para mimetizar clássicos do design, como a poltrona Egg.

A influência direta para a construção desse olhar vem de pequeno, na criação dentro da loja de ferragens do avô e que agora ele mesmo mantém viva, no bairro de Santa Cecília. Entre pregos, parafusos e ferramentas, Leo mistura inventividade e a formação em design industrial para subverter objetos sem nunca deixar de lado a atenção à função e à ergonomia da peça, se destacado como o principal nome do design-art nacional da geração pós Campana.

Por falar neles, Fernando e Humberto Campana também tem papel central em sua formação. Foram eles, fregueses assíduos da loja do avô, quem deram ao jovem Leo a oportunidade de estágio, em 2001. Foi dentro desse universo da dupla onde ele aprendeu a enxergar o potencial dos objetos e que absolutamente tudo pode servir de matéria-prima, levando a criação da cadeira Colher (2001) que se vale de uma antiga estrutura de cadeira rejeitada por eles sobre a qual 233 colheres se entrelaçam para formar o assento e o encosto.

Dessa experiência, Leo mantém até hoje a rotina incansável e a produção acelerada, sendo incapaz de conversar com você 5 minutos na oficina, localizada a poucos metros de sua loja, sem pegar uma ferramenta e começar a trabalhar sobre alguma das peças que lhe esperam entre pilhas de materiais de todo o tipo, como um verdadeiro cabinet de curiosité.

04 - BRUNNO JAHARA

Rio de Janeiro (1979)

 

O mix de simpatia e doses de malandragem carioca, indicam a personalidade de um legítimo “garoto do rio”, mas na verdade Brunno Jahara é do mundo. Formado em desenho industrial pela Universidade de Brasília, terminou seus estudos em Veneza e trabalhou em Treviso, Itália, com o espanhol Jaime Hayon (grande nome da vez) antes de seguir por anos em outros cantos da Europa e parar no Japão.

Toda essa experiência e aprendizado internacional foi importante para a construção de uma visão de design multi-disciplinar: que envolve muitas linguagens, técnicas, conhecimento de materiais e doses de intuição sem abandonar a preocupação com aspectos de produção e mercado. Tudo isso é retratado em peças que evocam uma linguagem formal e otimista capaz de se conectar com maestria ao sentimento de desejo pelo objeto.

Mas apesar de toda essa bagagem internacional, o principal tema de seus objetos está justamente na brasilidade, na riqueza da cultura e da natureza dos trópicos. Qualidades essas refletidas em uma produção que mescla de maneira única e sofisticada formas e materiais à usos inusitados para transformar alumínio, plástico ou mesmo vasos de barro em luminárias, bowls e outros objetos. 

 

Nesse olhar sofisticado e alegre que justamente está o dna do Jahara Studio (2009), reconhecido também por grandes marcas que apostam em suas criações, como no caso da coleção de cerâmicas Transatlantica para a portuguesa Vista Alegre e mais recentemente a coleção Stacks, para a St. James, toda em cobre.

Mas como o próprio designer salienta, essas parcerias não são fáceis de construir e precisa existir uma grande dose de empenho tanto do criador quanto da indústria para ser original. Precisa haver risco, paixão, entrega. As empresas precisam entender que “sem o traço do designer o produto não tem vida”, e que seu sucesso também depende de produção, distribuição e promoção.

           

É com esse olhar claro e maduro que Brunno pretende seguir em diante para criar com satisfação e a recompensa de ver as pessoas usando seus produtos - “gosto da idéia que depois que eu não estiver mais por aqui , meus produtos, meus objetos, estarão, em algum mercadinho de antiguidades, ali já surrado, usado, e com o mesmo valor de quando criei”.

05- SERGIO MATOS
Paranatinga - Mato Grosso (1976)

 

Natural do Mato Grosso, Sérgio Matos se mudou para a Paraíba em busca da formação em Design de Produto pela Universidade Federal de Campina Grande e por lá ficou. O “olhar do turista” o fez enxergar a beleza em coisas simples como a cultura da feira, do artesanal, “das gambiarras”, como define.  Esse encanto pela riqueza cultural nordestina se transformou em inspiração pura e gerou parcerias com artesãos qua possibilitaram a produção das peças do estúdio, fundado em 2010.

 

Nessa profunda conexão com a cultura regional está a força do trabalho de Sérgio, na percepção de que o design, mais do que a obrigação da função, pode ter alma – unir memória e afeição para contar uma história. Tudo com a identidade do produto feito à mão, preservando técnicas e saberes ancestrais que enriquecem o produto com uma energia única. 

Para tanto, é indispensável o convívio tanto com comunidades como com a natureza (principal fonte de inspiração), algo que Sergio vem há quase 3 anos experimentando profundamente na Amazônia através do projeto Brasil Original. Esse trabalho é uma iniciativa do SEBRAE Amazonas na qual o designer ajuda a desenvolver novos produtos que vão beneficiar comunidades artesãs indígenas e ribeirinhas através da produção e comercialização. O reflexo disso aparece não só contaminado no trabalho autoral, mas também na realização profissional e pessoal pela relação de troca entre aprendizado e ensinamento com cada comunidade.

Todo esse intenso trabalho de resgate de respeito e pertencimento cultural tem valido à pena, vindo acompanhado de um fértil momento do design nacional, em que indústria, lojas e o mercado como um todo tem aos poucos desafiado a tradicional doutrinação do mobiliário importado e investido em novos nomes e produtos originais desde a larga escala até edições limitadas e peças únicas. “coisa rara há poucos anos”, salienta o próprio designer.  

06- GUSTAVO BITTENCOURT

Rio de Janeiro (1986)

 

Profundamente inspirado pelo modernismo brasileiro, Gustavo Bittencourt tira partido tanto dos volumes geométricos da linguagem arquitetônica quanto das curvas sensuais do mobiliário da época para desenvolver peças que se conectam à essência do nosso design. Volumes sobre pilotis, grandes vãos e estruturas em balanço atraem o olhar atento enquanto se misturam à referências da natureza.

           

E natureza é o que não falta para o designer, cercado pela exuberância da paisagem serrana de Petrópolis, onde se estabeleceu para a fundação do atelier. Em meio à mata, Gustavo transformou uma marcenaria ociosa em espaço de criação, produção e apresentação de suas peças, praticando a forma de negócio em que acredita: “o designer na frente da produção, vendo, colocando a mão na massa, tendo esse cuidado de querer que o cliente tenha sempre o melhor, um móvel com alma”.

           

Dentro desse contexto surgem suas peças que atraem pela clara preocupação com conforto, leveza e atemporalidade, como é o caso da cadeira Iaiá. Nela, a paixão pelo modernismo reflete numa mistura afinada entre formas e materiais onde a madeira dá a sensação de calor, a palinha traz conforto e transparência enquanto o metal agrega leveza e plasticidade à estrutura. Tudo dentro de uma produção bastante artesanal e de baixa escala que já comercializou mais de 60 unidades. Nada mau para um móvel cuja origem veio de uma necessidade bastante específica – mobiliar a própria casa nova por insistência da esposa, afinal “onde já se viu na casa de designer faltar cadeira na mesa de jantar?”, conta a homenageada. 

O interesse crescente do mercado não só na sua cadeira, mas nos móveis autorais contemporâneos de modo geral, alimentam um sonho: a construção de um sítio onde a casa, a marcenaria e uma galeria coexistam. Um espaço que reflita seu trabalho e crenças para receber pessoas, fazer e estreitar relações e amizades. Um espaço que vive do design.

07- PAULO BIACCHI – FETICHE
Ponta Grossa – Paraná (1979)
 

Cara de HighTech, produzido em LowTech, com KnowHow industrial e pitada autoral. Entendeu? Pois é, esse é o Fetiche – um estúdio fruto da união entre Paulo Biacchi e Carolina Armellini que ao longo de quase 10 anos construiu com muito esforço uma identidade pautada na ousadia para vencer a enorme resistência da indústria nacional em aceitar e investir no novo.

 

Desse inconformismo e insistência vieram as primeiras parcerias com marcas como Micasa, Tok&Stok, Artefacto e MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo), através das quais a dupla conseguiu não só imprimir sua assinatura no mercado, mas também expandi-la. Hoje o Fetiche possui várias frentes de atuação, criando para a indústria moveleira, de cosméticos e de revestimentos, além de manter um canal no Youtube e participar do programa de tv Decora, da GNT.          

 

Esse lado showman de Paulo vem por influência do amigo Marcelo Rosenbaum, com quem co-assina inúmeras criações de sucesso, como o caso da enorme coleção de móveis para a Oppa que, com uma cara jovem e autêntica, tenta democratizar o design. Essa é também a ideia do canal Tente Isso em Casa – “levar a cultura do design a mais pessoas, dar a chence de terem mais contato com o processo do design e gostarem disso”, explica. Tudo isso através de projetos inventivos que podem ser feitos em casa com baixo custo, incentivando as pessoas a colocar a mão na massa.    

 

É essa visão de um design inclusivo que mantém o Fetiche muito focado em sempre unir em seus projetos os elementos-chave do que consideram um bom design: um conceito claro que te faça enxergar para além da função do objeto; uma estética forte que desperte desejo; a viabilidade de produção em escala; e um custo dentro da realidade do mercado alvo. “ A assinatura torna o produto mais competitivo, desejável, sexy, mas não pode deixá-lo mias caro”, defende Paulo.

 

A síntese de todo esse discurso volta ao mercado ainda esse ano, quando pretendem relançar o banco R540 (2010) em novas cores. Um clássico da dupla, a peça é formada por dois anéis de aço cruzados e então tramados com spaghetti plástico, refletindo de maneira icônica esse olhar voltado à constante experimentação, sem nunca se prender aos mesmos materiais ou processos.

08- RODRIGO SILVEIRA

São Paulo (1982)

 

“Quero fazer isso que ele faz!”. Foi assim, durante as aulas do designer Carlos Motta na FAAP, que Rodrigo Silveira se encantou pela filosofia de vida do profissional e iniciou sua paixão pela marcenaria, tirando importantes lições dos momentos em que davam uma pausa no assunto principal: o surfe.                                                                                                                                     O que veio a seguir foram anos de especialização em que a ansiedade de chegar num resultado satisfatório deu lugar ao prazer pelo processo em si, pelo domínio de técnicas construtivas e o conhecimento da matéria-prima. Nesse ciclo lento e constante de aprendizado é que o designer se encontra em conexão com o ofício – na relação de troca com a madeira – “ela responde a cada coisa que você faz e precisa de tempo para aceitar que deixou de ser árvore e agora é móvel”, reflete.

 

Dessa relação de profundo respeito, aliada ao olhar prático, destaca-se no trabalho de Rodrigo a preocupação com o meio ambiente, num discurso que questiona as maneiras de gerar o menor impacto possível numa floresta e continuar trabalhando com madeira. O sonho: cortar ele mesmo toda árvore que for usar e aprender com o todo o processo para então otimizá-lo.  

 

Nessa direção é que o designer tem construido um repertório de obras de uma expressão brutalista em que o móvel carrega não só a força da árvore consigo, mas toda essa memória do processo. Isso fica ainda mais claro através de projetos como o “Da árvore à cadeira” (2015) em que um tronco de Cabreúva se transforma em uma única cadeira de dimensões escultóricas, com quase 3 metros de altura do encosto.

 

Em função desse olhar artístico, nada mais lógico do que ele ter sido convidado para desenhar uma série de novos bancos para o museu Masp (icônico projeto de Lina Bo Bardi), criando uma conversa entre design e arquitetura/ madeira e concreto que traz ainda o resgate de antigas técnicas construtivas brasileiras.           

 

E já que todo esse processo é cíclico, Rodrigo também se dedica à aulas de marcenaria em seu espaço, na Barra Funda. Lá não só ensina seus alunos o quão libertador é o “fazer com as próprias mãos”, como também aprende bastante com cada um dos projetos e suas diferentes soluções. Mas nada de afobação, afinal a primeira coisa que se aprende é que esse parendizado é lento, como o próprio crescimento da madeira.


09- RODRIGO OHTAKE
São Paulo (1984)
 

O flerte com o universo do design já vinha desde os 19 anos, quando em suas primeiras obras de arquitetura Rodrigo Ohtake tentava, através de móveis fixos, levar mais autoria aos ambientes que projetava. Mas foi em 2015, para participar da feira MADE, que de fato ele fez seu primeiro móvel e foi fisgado pra valer, criando desde então peças que lhe trazem a mesma satisfação da realização arquitetônica.

Exatamanete para tratar dessa dualidade entre arquitetura e design, Rodrigo compara dois mestres: enquanto o arquiteto alemão Mies van der Rohe dizia que era mais difícil criar uma cadeira do que um edifício, foi o designer inglês Jasper Morrison quem lhe disse uma vez que a arquitetura, por toda sua complexidade de elementos, é mais desafiadora. Isso serve para mostrar que na verdade são áreas distintas - “na arquitetura raramente as problemáticas são repetidas, sempre há algo singular, seja o terreno, o clima, o entorno… Já no design questões importantes precisam ser repetidas, por exemplo altura do assento de uma cadeira ou a inclinação do encosto. Fazer, a partir destas repetições algo novo é o grande desafio”.

De qualquer maneira, ambas menções anteriores são bastante modestas se considerarmos toda a influência direta que ele absorve dentro da própria família. Afinal, Rodrigo é, além de filho de Ruy Ohtake, importante arquiteto brasileiro responsável  por centenas de obras às quais é impossível tratar com indiferença, também neto de Tomie Ohtake, emblemática artista abstracionista que deixou um enorme legado entre pinturas, gravuras e esculturas. Desse convívio próximo trás valores como a constante curiosidade, a busca pelo novo, por desafios, e a confiança na intuição para seguir seu próprio caminho autoral.

Caminho esse que vem crescendo rapidamente e ganhando corpo através de desenhos, modelos em papel, massinha, ou fios de solda dobrados que dão vida à ideias abstratas e se transformam em móveis que aos poucos vão apontando um caminho criativo repleto de cores, formas e materiais diferentes, sem medo de ousar.


10- GUILHERME WENTZ

Caxias do Sul - Rio Grande do Sul (1987)

 

Com uma jovem carreira estreitamente conectada ao próprio estilo de vida, Guilherme Wentz chega aos 30 anos de idade confiante dos mesmos ideais dos tempos de faculdade, quando trocou o curso de administração pela formação em design de produto: viver de maneira simples, convivendo com aquilo que é essencial. 

 

Aliás, foi já faculdade que ele desenhou a escrivaninha Officer (2011) e encontrou na marca Decameron, de São Paulo, o parceiro para sua produção, se inserindo de maneira meteórica no mercado nacional. A peça deixava clara sua identificação com a linguagem minimalista, ainda que os elementos de madeira dessem certa robustez ao móvel. O que se viu na sequência foram coleções bastante equilibradas, sempre muito bem trabalhadas em todos os sentidos, do desenho até a foto de divulgação.

Isso é algo que a experiência com diversas marcas, como Riva e Lumini, lhe trouxe: uma visão 360 graus do design que pensa muito além do produto, passando por embalagem, design gráfico, distribuição, até a própria fotografia. Um aprendizado que o designer agora aplica em sua marca autoral WENTZ, criada em 2016, em que através da primeira coleção, entitulada Capítulo 1, contextualiza seus produtos dentro das mesmas ideologias pessoais de uma vida simples e conectada à natureza.

E é da natureza que vem a inspiração para uma das peças mais significativas dessa linha, o vaso Pós-Tropical, formado por apenas dois cilindros, um estreito em cobre e outro robusto em madeira servindo de contrapeso. Desenvolvido inicialmente em 2014 para o Clube de Colecionadores do MAM de São Paulo, a peça traz ares de tropicalidade ao repertório clean do designer e o aproxima de uma  brasilidade  sem cair em caricaturas, bem como a poltrona Tela, em que a tradicional palinha do móvel modernista é redesenhada em nova escala para trazer leveza e contemporaneidade ao produto.

           

Selecionada para participar do ICFF – principal feira de design de Nova York que aconteceu durante o mês de maio, a marca dá seus primeiros passos no exterior enquanto se prepara para o lançamento de seu próximo capítulo, em agosto.      Agora é esperar pra ver como o designer vai adaptar seu próprio estilo de morar minimalista com um repertório de criações que não pára de crescer.

2017 

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